No qual Tistu faz uma última descoberta...
(...) Daí a algumas manhãs, uma notícia correu pela Casa- que-Brilha, deixando todos muito tristes. O jardineiro Bigode não despertara.
- Bigode resolveu descansar para sempre- explicou Dona Mamãe á Tistu.
- Posso ir vê-lo dormir?
-Não, não pode. Você não pode mais vê-lo. Partiu para uma viagem longa, muito longa, e nunca mais voltará.
Tistu não compreendia direito. "Não se viaja de olhos fechados, pensou ele. Se está dormindo, podia ter me dado boa noite. E se partiu, podia ter me dito adeus. Isto não está claro; estão me escondendo alguma coisa."
E foi sondar a cozinheira Amélia.
- O coitado do Bigode está no céu; agora é mais feliz que nós- disse Amélia
" Se é feliz, por que dizer que é coitado? Se é coitado, como poderá ser feliz?" perguntava-se Tistu.
Cárolo tinha ainda uma outra opinião. Segundo ele, Bigode estava debaixo da terra no cemitério.
Era muita contradição.
Debaixo da terra ou no céu? Era preciso decidir. O jardineiro não podia estar por toda a parte ao mesmo tempo.
Tistu foi ao encontro de Ginástico.
- Eu sei- disse o pônei- Bigode morreu.
Ginástico dizia sempre a verdade. Era um de seus princípios.
-Morreu?- exclamou Tistu- Mas não ouve guerra...
-Não é preciso guerra para morrer- repondeu o pônei. - A guerra é apenas uma ajudante da morte... Bigode morreu porque era muito velho. Toda vida termina assim.
(...)
Tistu envolveu com seus braços o pescoço do pônei e pôs-se a chorar na sua crina.
- Chora, Tistu, chora- dizia Ginástico- É preciso. As pessoas grandes não querem chorar, e fazem mal, porque as lágrimas gelam dentro delas, e o coração fica duro.
(...) Enxugou suas lágrimas e pôs um pouco de ordem em suas idéias.
" No céu ou debaixo da terra?"- repetia ele.
(...)
Mas a morte zomba dos enigmas. Ela é que os propõe.
(...)
[trecho de "O menino do dedo verde" de Maurice Druon.]
- Bigode resolveu descansar para sempre- explicou Dona Mamãe á Tistu.
- Posso ir vê-lo dormir?
-Não, não pode. Você não pode mais vê-lo. Partiu para uma viagem longa, muito longa, e nunca mais voltará.
Tistu não compreendia direito. "Não se viaja de olhos fechados, pensou ele. Se está dormindo, podia ter me dado boa noite. E se partiu, podia ter me dito adeus. Isto não está claro; estão me escondendo alguma coisa."
E foi sondar a cozinheira Amélia.
- O coitado do Bigode está no céu; agora é mais feliz que nós- disse Amélia
" Se é feliz, por que dizer que é coitado? Se é coitado, como poderá ser feliz?" perguntava-se Tistu.
Cárolo tinha ainda uma outra opinião. Segundo ele, Bigode estava debaixo da terra no cemitério.
Era muita contradição.
Debaixo da terra ou no céu? Era preciso decidir. O jardineiro não podia estar por toda a parte ao mesmo tempo.
Tistu foi ao encontro de Ginástico.
- Eu sei- disse o pônei- Bigode morreu.
Ginástico dizia sempre a verdade. Era um de seus princípios.
-Morreu?- exclamou Tistu- Mas não ouve guerra...
-Não é preciso guerra para morrer- repondeu o pônei. - A guerra é apenas uma ajudante da morte... Bigode morreu porque era muito velho. Toda vida termina assim.
(...)
Tistu envolveu com seus braços o pescoço do pônei e pôs-se a chorar na sua crina.
- Chora, Tistu, chora- dizia Ginástico- É preciso. As pessoas grandes não querem chorar, e fazem mal, porque as lágrimas gelam dentro delas, e o coração fica duro.
(...) Enxugou suas lágrimas e pôs um pouco de ordem em suas idéias.
" No céu ou debaixo da terra?"- repetia ele.
(...)
Mas a morte zomba dos enigmas. Ela é que os propõe.
(...)
[trecho de "O menino do dedo verde" de Maurice Druon.]


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