enfim. alguem sensato alem de mim nesse mundo....

texto retirado do site Garotas que Dizem Ni. ( até q enfim achei alguém q tem o mesmo pensamento que eu. veja... ) :
Adorável asno
Tem gente que adora o Super-Homem. Outros, torcem pelo Batman. Há ainda quem babe pelo Wolverine. Mas meu personagem favorito de histórias em quadrinhos não costuma sair voando com capas vermelhas, não carrega um cinto de utilidades poderosas, não salva os pobres e oprimidos e muito menos possui um esqueleto de adamantium. Aliás, se o pobre seria incapaz até de pronunciar essa palavra, que dirá tê-la como revestimento de seus ossos. Ele é mais pé no chão que todos os outros heróis. Literalmente.
Na verdade, o pé no chão é só uma de suas muitas características marcantes, ao lado da calça com suspensório, do chapéu de palha, do nariz em forma de bolota, das sardas e da inconfundível cara de aparvalhado. Assim é Zé Lelé, um garoto que parou no tempo – não apenas em seus eternos oito anos de idade, mas também em um interior que parece distante. Agora sítio tem TV a cabo, internet, banheira com hidromassagem e forno a lenha é só enfeite. As vacas não se chamam mais Mimosas e as galinhas já não recebem o nome de Giserdas. Só no universo inocente e pacato do Zé.
Bem, talvez não do Zé, mas do primo Chico Bento. É o caipira mais famoso da Turma da Mônica quem recebe todos os louros da fama. Chico tem almanaque só seu, ganha vida em teatrinho infantil, aparece no cinema. A roça é o seu mundo e ele é o centro de tudo. Já Zé Lelé, coitado, é um coadjuvante que vai aparecendo quando deixam. Ou, mais precisamente, quando é necessário um alívio cômico à história, alguém que banque o paspalho e faça rir.
Os personagens campestres nasceram em 1961, mas foi apenas em 1982 que ganharam uma revista só para eles. Maurício de Sousa diz ter se inspirado em um tio-avô para criar Chico Bento. O desenhista não chegou a conhecê-lo pessoalmente, mas passou a infância se divertindo com as aventuras do matuto contadas pela avó. As histórias davam conta também do irmão gêmeo desse parente distante, chamado de Zé e que, segundo a avó de Maurício, era mais gozador e endiabrado que o outro. Quando resolveram que Chico ganharia um comparsa, a escolha não poderia ter sido outra.
Zé Lelé é caçoado por todos por conta de sua aparência de espantalho e por sua burrice. Está certo que às vezes ele pede... Principalmente quando resolve contar piadas, uma mais infame que a outra. Quando, por exemplo, ele descobriu o motivo que leva um gato miar para a lua e a lua não miar de volta para o gato. Sabe por que? Porque astronomia. Entendeu? ASTRONOMIA! Rá! Tinha que sair da cachola do Zé. Sem contar que, de vez em quando, ele empaca que nem um asno. Fica parado no lugar, com aquele olhar de peixe-morto. Os amigos odeiam. Os leitores adoram.
Qualquer fã que se preze guarda na memória as ocasiões em que ficaram com vontade de fazer xixi de tanto rir por culpa do Zé Lelé. Quando eu era pequena e tinha a assinatura das revistas da Turma da Mônica, passava tardes gargalhando com as besteiras desse personagem peculiar. Já me esqueci de muitas delas, é claro. Outras ainda aparecem meio quebradas, como qualquer episódio apagado do passado. Como uma história chamada “O burro do Zé Lelé” que me divertiu horrores. Não sei ao certo por que, mas desconfio.
Muito se engana quem pensa que o caipira feioso é só um paspalho. Ele também é capaz de ter algumas das tiradas mais geniais dos quadrinhos brasileiros. Em uma das histórias, Zé conta apavorado para Chico Bento que viu uma mula-sem-cabeça aleijada. Quando o amigo pergunta como diabos é uma mula-sem-cabeça aleijada, o incauto aponta uma mula normal. A minha sacada preferida, porém, mostra a definição dele para o ornitorrinco: “parece uns bicho que se comeram e se esqueceram de se engolir”. Tão sensacional que me lembro até hoje.
Antes eu fazia parte do movimento que sonha com um gibi só do Zé Lelé. Afinal, se a chata da Magali conseguiu tal feito, porque esse malandro cheio de carisma e potencial ficaria de fora da boquinha? No entanto, os anos se passaram e o gibi especial ainda não veio. O Zé continua disputando a tapa um espaço nos quadrinhos e, por vezes, é deixado de lado por aquele inútil do Papa-Capim, que come algumas páginas do almanaque. Mas a escassez de suas histórias, por outro lado, faz a gente aproveitar cada momento ao lado do adorável asno.
Eu aproveito até hoje.


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